Sempre gostei de falar de peso.
Não sei se é por ser gorda,
se é por querer marcar alguma diferença nesse contexto, mas a verdade é
que é uma temática que me atrai. No meu texto anterior "uma
questão de peso" falei um pouco sobre os estereótipos que se
criam à volta da sociedade, mas acho que me faltou um aspecto fulcral, que foi
falar de mim e da minha história e da minha visão interior (de uma forma mais
abrangente), em relação a mim e à minha maneira de ser neste contexto.
Portanto...
Eu até aos cerca de 5, 6 anos
de idade fui bastante magra, mas depois apareceu um problema
de saúde que eu não sei bem qual é (nem me interessou sequer saber) e
isto associou-se a problemas de tiroide e etc que são uma merda e que
nunca dei muita importância.
Mas a verdade é que fui
engordando e deparei-me com uma serie de problemas que tive de enfrentar na
minha vida.
Antes de mais acho que a minha
vida se fundiu sempre em duas perspectivas. Por exemplo na
minha infância, tinha os namoricos como as outras crianças, tinha amigos
que não gozavam comigo, etc. Por outro tinha as crianças maldosas que gozavam
comigo e que não me respeitavam, e faziam a minha vida num inferno, sabendo que
as crianças ainda não são muito racionais e não tem bem a noção o que é ser
politicamente correctas.
Até ao inicio da adolescência,
ser gorda era o meu grande problema, não gostava de mim, era discriminada, era
vitima de bulling, os outros adolescentes eram muito maus comigo, e a minha
vida era um autentico inferno, até que, não sei se por ter mudado de ares, que
a minha vida deu uma volta de 180º.
Passei sobretudo a aceitar o
que eu era. Aprendi a gostar de mim, a valorizar-me, a perceber que haviam mais
perspectivas do mundo e de beleza, e o facto de ser diferente não tinha quer
ser um aspecto que me diferenciava de uma forma negativa, mas duma forma
positiva.
E pelo menos a minha mente
começou a mudar, não tinha que continuar dentro do armário, eu sabia que
nunca ia ser magra, portanto só tinha duas hipóteses: ou atirava-me da
ponte abaixo, ou mudava de vida e aprendia a viver. E sem mais nem menos mudei
de vida.
Comecei a ter interesse por
mim, a arranjar forma de me favorecer, de me por "mais bonita", e
alias foi aqui que nasceu o meu amor pela moda, e acima de tudo a sair sempre
de casa com um sorriso.
A coisa mais importante que
podemos fazer quando temos algo que nos diferencie dos outros e que no geral se
ache que é um aspecto negativo, é tentar por a situação a nosso favor e marcar
a diferença.
Se eu sou gorda é por algum
motivo, foi o que pensei, e também foi a partir desse momento que eu
decidi criar um conceito de "gorda" um bocado diferente do que
conhecia.
Passei a sair à noite, a ter
vida social, a ir às compras, a usar as roupas de que gostava, a ser vaidosa
comigo própria, a aproveitar a vida.
E sou assim até hoje.
Até à data essa mudança
trouxe-me mais aspectos positivos que negativos. Sou diferente, não sou só mais
uma gorda dentro de um baú, sou uma gorda se distingue de muitas,
que gosta de si e que se vê que se aceita como é.
Sei que existem e sempre
existiram pessoas que me recriminarão e que me gozam, e que dão mais valor ao
meu aspecto do que à minha maneira de ser, mas contrariamente haverá sempre
aqueles que me amam da forma que eu sou, com cada pedaço de gordura ou celulite
a mais, amando o meu exterior e o meu interior.
E eu amo-me, como sou, com
todos os meus aspectos, e senão conseguir atingir o meu propósito na
vida, que é mostrar a esta sociedade que as pessoas não se define pelas suas
curvas, mas pelo seu carácter, e que uma rapariga gorda também é linda e
maravilhosa, pelo menos abrirei o caminho a muitas raparigas como eu que lutam
pelos mesmos objectivos. Ou mesmo que a influencia não seja assim tão grande,
que possa mostrar pelo menos a todas as meninas gordinhas que
"me lêem", que podem ter uma visão do mundo e de si totalmente
diferente, que podem amar o que tem e a sua vida e usar isso para ser feliz e
que lhes sirva da inspiração para mudarem de vida.
Desta forma o meu trabalho, o
meu corpo, o que passei, o que ainda irei enfrentar, não serão de todo em vão.
Olá... gostei muito :) consigo identificar-me perfeitamente com os problemas que enfrentaste porque passei pelo mesmo... infelizmente nem toda a gente pensa como nós... os estereótipos tão feitos quem não é "perfeito" há maneira deles acaba sempre por sentir em parte esse peso...
ResponderEliminarContínua com esse pensamento!! :D
Infelizmente situações como a minha acontecem em grande numero, mas nem todos sabem lidar com ela como eu lidei. Somos reféns destes estereótipos da nossa sociedade, mas à que contraria-los, senão eles destroem-nos. Obrigada por ter lido e por ter gostado.
EliminarInês, sei que não somos propriamente amigas e pouco ou nada sei a teu respeito. Também nunca passei por esse problema e provavelmente vais achar "mas o que é que esta veio para aqui fazer a mandar larachas?" Mas eu sou uma metediça do pior e tinha que comentar (é-me involuntário) ;P
ResponderEliminarBem, devo te dizer, antes de mais, que nunca te vi como uma menina gorda. Apesar de vivermos numa vilazita (e bota "ita" nisso) um bocado má nesse aspecto, quando te vejo só vejo uma coisa: alegria! Não sei se usar essa máscara ou se é realmente genuína, mas seja como for é isso que eu vejo, muito mais do que a gordura ou a discriminaçao que possas sentir.
E só mais uma coisita: tooooodos temos complexos com alguma coisa, inseguranças, e todos, em alguma fase da vida, nos sentimos descriminados. E às vezes as meninas mais "bonitas", por muito que paceçam super seguras de si, são as com mais dúvidas e medos. A diferença entre elas e ti é que tu podias fazer disso uma desculpa para seres infeliz e elas não porque não tinham como justificar essa infelicidade (supostamente são perfeitas)! Por isso, nesse aspecto ainda és mais forte e merecedora de aplausos!
Enfim, como te disse, não sei como os outros de vêem, eu vejo uma miúda sempre bem disposta e rodeada de gente. Deve querer dizer alguma coisa! ;)
Mas como te disse, não te conheço, e peço desculpa pelo testamento! Bijou bijou**
Eu agradeço cá teres vindo, e teres comentado, fico muito contente que o tenhas feito.
EliminarBem, nunca tinha ouvido isso de uma pessoa de Alpiarça, é estranho mas, como sabes estudei em Santarém nos últimos 3 anos, e achei, que os habitantes de Santarém tinham mais respeito por mim e aceitavam-me mais do que propriamente em Alpiarça.
Na nossa vila existem pessoas que me respeitam como é evidente, e que não me discriminam, mas em relação a Santarém, acho-os mais maldosos, senti uma aceitação e uma integridade social em Santarém que nunca senti em Alpiarça, porem, sei que quem se dá comigo e quem me conhece desde que eu vim para cá morar, me respeita, e tenho esperança que existam mais pessoas que pensam da mesma maneira que tu. Obrigada pelas tuas palavras, acredita que sou bastante genuína, e que acho que muitas vezes dou a ideia de superioridade e vaidade, mas só quero mostrar às pessoas que me sei valorizar e que não ando de cabeça para baixo, nunca. anyway, obrigada Inês, fico feliz por teres interpretado de forma correcta a minha personalidade. beijinhos
Parabéns Inês, o teu texto reflecte realmente este tema que muitos chamam de "problemática" deste século. Eu tal como tu não quero ver nem acreditar que as pessoas daqui por uns tempos continuem a ser tão medíocres ao ponto de apenas verem uma pessoa pelo que ela é por fora esquecendo o essencial que é o seu conteúdo interno. continua com a tua força de vontade de viver e ser feliz ;) bejinho
ResponderEliminarObrigada Paula. Eu também sinceramente espero que as coisas mudem num futuro mais proximo, que as pessoas comecem a ser mais tolerantes, pelo menos eu lutarei para que isso aconteça, e se existirem mais pessoas com a minha vontade, as coisas podem mesmo mudar. mais uma vez obrigada, beijinhp
EliminarÉs linda Inês, e para mim és um grande exemplo de coragem ♥
ResponderEliminarObrigada meu amor, you know what you means to me ❤
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